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Contos sem nó

As minhas histórias

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23.06.14

Veneza pode esperar


Lila

Interrompi as minhas leituras espirituais para ler este presente da mana caçula, que já de si seria especial, mas que ainda por cima vem autografado pela autora...

E digo-vos que estou rendida.

As primeiras paginas deixaram-me emocionalmente de rastos.

Mas um de rastos bom, uma dor de alma que apetece sentir.

identifico-me tanto com a Rita Ferro, sem ter nada em comum com ela.

A descrição de se sentir amputada quando está sozinha (a belíssima introdução do diário), é a minha sensação, sempre que o meu marido faz a mala e entra no avião, para não voltar em quinze dias, ou mais.

Não é solidão, é sentir-me vazia.

Mesmo quando eu sei que a casa vai permanecer miraculosamente arrumada (para quem tem a paranóia das limpezas, este é um factor importante na vida), que não me vou aborrecer por ele não ter apanhado a roupa da corda, que a cozinha não vai ficar um caos depois de cada jantar. Mesmo sabendo que tenho a cama, a TV, a casa toda por minha conta.

O vazio que sinto equivale a ter perdido uma parte de mim, ainda que temporariamente.

Essa parte volta, quando ele volta.

E o vazio desaparece.

Mas até lá, resta lamber as feridas e esperar que o tempo passe (ainda) mais depressa do que o normal.

Vou continuar a ler a Rita, sabendo que para além das feridas, também lamberei lágrimas.

Esta mulher (fantástica, fascinante) tem este poder sobre mim.

 

 

 

 

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