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Contos sem nó

As minhas histórias

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06.02.21

Vai ficar tudo bem no final


Lila

Hoje foi dia de gerir a tristeza. Levantamo-nos tarde e fomos andar de bicicleta. O tempo estava horrível. Vento, frio, chuviscos. Mas fomos na mesma. Acho que os meus homens perceberam que era mesmo preciso ir. As caminhadas ou estes passeios de bicicleta que fazemos juntos, ao fim de semana, não me fazem só bem ao corpo. Limpam-me a alma. O vento que bate no rosto, a paisagem e até o esforço físico fazem esvaziar a cabeça. Percebi o que tenho que fazer, apesar de estar desiludida com a minha empresa. A empresa onde deixo a pele há 18 anos. Eu gosto mesmo de trabalhar e gosto do que faço, ainda que trabalhe muito mais do que um comum mortal e por vezes sinta que esse esforço não é recompensado. Ainda assim, vou deixar a poeira assentar. Sou profissional acima de tudo e a bem da verdade, não estamos em boa altura para me dar um ataque de nervos e bater com a porta. Em Espanha e em Itália, na Europa, muitos dos meus colegas vão ser despedidos. Eu fiquei. E estou agradecida por isso. Não gosto das condições em que fico porque o meu trabalho vai mudar e sinto que deito a perder muitos anos de esforço no que estava agora a fazer, mas vou ter que dar tempo ao tempo. E tentar continuar a ser como era antes. A trabalhar sempre com alegria e entusiasmo. Ainda que ache que uma parte dessa alegria se foi perdendo. É impossível não se perder. Mas hei-de dar a volta por cima.

Vai ficar tudo bem no final. Se ainda não esta tudo bem, é porque ainda não acabou.