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Contos sem nó

As minhas histórias

Contos sem nó

As minhas histórias

01.02.14

Um ano

Lila
Faz hoje um ano que perdemos a nossa titi. Faz amanhã um ano que voltámos a fazer o funeral da minha mãe.   Foram dias muito duros, aqueles. E ainda hoje, passado um ano, pego no telefone para ligar à minha tia.
02.03.13

O jantar

Lila
Ontem fez um mês que faleceu a minha titi. E nós achámos que nos devíamos juntar, eu e o meu primo, até porque a minha mãe também fez anos. Correu tudo muito bem, e depois do jantar, acabámos por nos juntar os dois na cozinha e carpir um bocadinho as nossas mágoas, falar do que tínhamos sentido naqueles dias, de todo o processo de doença da titi, da cerimónia do funeral, de tudo por que fomos passando. O meu primo disse-me que quando a minha mãe morreu, ele perdeu o (...)
02.02.13

Olhos a picar, cabeça a latejar

Lila
A noite de ontem, no velório não foi fácil. Mas nada me tinha preprado para a manhã de hoje. Não consegui dormir, mas bem cedo, fui para a capela, para acompanhar a minha tia até à sua ultima morada. A minha tia manifestou desde sempre o desejo de ficar na campa da minha mãe e assim foi. O que eu não esperava era assistir de novo, dezoito anos depois, ao funeral da minha mãe, cujas ossadas foram retiradas da campa e colocadas aos pés da minha tia. Foi um sofrimento enorme (...)
01.02.13

Fevereiro

Lila
Eu queria escrever que gosto de Fevereiro porque é um mês muito pequeno. Gosto de Fevereiro porque a minha mãe fazia anos a 29 e quase sempre a 28, dada a particularidade da data. Gosto de Fevereiro porque acima de tudo é o mês dela. Gosto de Fevereiro porque a minha irmã mais velha casou também a 29. Gosto de Fevereiro porque a minha tia favorita faz anos a 6. Gosto de Fevereiro porque comecei a namorar o amor da minha vida a 19 e sete anos depois, nesse mesmo dia, cumprimos (...)
11.01.13

Comunicação

Lila
Fui ver a minha tia. Olhos fechados, respiração muito profunda. Chamo por ela, dou-lhe festas na cara, volto a chamar. Nada. Mexo-lhe na mão e ela agarra a minha com tanta força, que chegou a ficar um bocadinho negra. Acredito que queria comunicar comigo e foi essa a única forma. Ficamos ali de mão dada um bom bocado. E sai de lá mais triste que nunca.  
12.03.12

Titi

Lila
A minha velhota caiu e partiu um braço. O esquerdo, e em vários locais. E seria bom ser o esquerdo se não fosse esquerdina. Coitadinha. Já não se sabe o que dizer,para a consolar.  85 anos e tantas mazelas... Ninguém merece. Cheguei do Porto, morta de sono, morta de cansaço, cheia de coisas para fazer e fui lá. Para dar-lhe beijinhos dos meus. E ouvi-la dizer "isso é bom".  
26.07.11

A idade é uma coisa muito triste

Lila
A minha tia tem 84 anos. Mas a cabeça dela não acompanhou o corpo. È tão triste estar consciente de que a parte física se degradou, querer fazer coisas e não conseguir. Sentir que se está velha, que os anos não perdoaram, mas ter total sentido disso. Que angustia, meu Deus. Vê-la assim faz-me pensar se não será melhor ficar balhelhas. Eu acho que se sofre menos.