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Contos sem nó

As minhas histórias

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27.06.14

Querido pai


Lila

A SIC fez uma reportagem sobre a emigração dos pais, fenómeno cada vez mais frequente em Portugal.

E focou tão bem como sofrem os filhos e as mulheres que ficam para trás, as dificuldades que passam todos os dias, o vazio que preenche todo o espaço.

O meu marido não é emigrante.

Este ano, ao contrario dos dois anteriores, foi bastante tranquilo, passou muito mais tempo cá, do que lá fora.

Mas eu e o JA sabemos bem o que é estarmos sozinhos, apesar de nunca termos estado mais do que um mês sem ele.

Não posso nem imaginar o que será estar seis meses, um ano, sem ver o pai.

E o que mais me emocionou, foi ter-me reconhecido na cena final, em que se vê mãe e filhos à espera do pai, no aeroporto.

Obviamente, que á chegada, a atenção do pai vai para o filho, a juntar ao desconforto que n´so adultos sentimos no reencontro.

E ali ficamos nós, mães e mulheres, sem saber se rimos ou choramos. Demora tempo a reconquistar a intimidade.

Queremos beijar muito, abraçar mais e recuperar todos os beijos e abraços perdidos, mas não nos sai o carinho.

Ficou reprimido por tanto tempo, que assim, de repente, não sai.

Até eu, que viajo no máximo 5 dias de cada vez, sinto isso no regresso.

Tenho pena, muita pena, que Portugal esteja a criar famílias assim.

Sofridas, sem alegria, sempre à espera.

Porque a vida é hoje.

E este pais tornou-nos em pessoas sempre com um olho no dia seguinte, anulando o dia de hoje.

Á espera que volte, á espera que seja melhor.

Porque o dia de hoje dóitanto na alma, que a única forma de sobreviver é ter esperança e pensar no futuro.

 

 

 

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