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Contos sem nó

As minhas histórias

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14.07.17

Nos aeroportos


Lila

Passo muito (demasiado) tempo em aeroportos. Entre o tempo em que se está em actividade (passar segurança, embarcar) e aquele em que se está em filas, ou simplesmente à espera, perco muito tempo em aeroportos. Aprendi a defender-me das horas intermináveis de atrasos de voos com duas actividades que me distraem muito. Uma é ler. Com um livro, o tempo voa e sinto-me acompanhada. A outra é observar as pessoas. A quantidade gigante de pessoas que passa a cada minuto num corredor de qualquer aeroporto (vá, qualquer não digo, que já viajei bastante, por exemplo, para Santander, onde há um voo a cada 4 horas. Nesse não se passa mesmo nada, que tédio) é impressionante. São todas diferentes e no fundo todas iguais. Gosto, como fazia com a minha mãe e as minhas irmãs na praia ou num restaurante de observar alguém e imaginar uma historia. Ou fixar-me nos detalhas. Mulheres lindas, fabulosas, em cima de saltos assustadores, mas sem perder o norte. Autenticas bonecas, de cabelo liso imaculado (eu nunca poderia ser uma boneca destas, o meu cabelo é tudo menos liso) e eye liner perfeito. Mulheres submissas, ao lado de maridos com ar agressivo. Mulheres de família, rodeadas de filhos, com sopa na camisola e mil sacos que se espalham por todo o lado. Homens altos, baixos, de barba e sem. Homens cuidados e outros nem por isso. Crianças que fazem birras enormes, atiradas para o chão em verdadeiros dramas. Crianças adoráveis que dão vontade de pegar. Idosos. Turistas de pé descalço, sujos, com cabelos estranhos. Turistas chiques com malas Luis Vuiton e óculos escuros de marca. Pessoas que cheiram mal. Pessoas com perfumes bons.Tatuagens, muitas, muitas tatuagens. Cabelos cor de rosa, azuis e verdes. Transexuais que pecam pelo exagero e se distinguem à légua. Namorados, casados, zangados. Vejo de tudo e fixo-me nos detalhes para passar o tempo. O demasiado tempo que passo em aeroportos.