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Contos sem nó

As minhas histórias

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21.08.19

Marido


Lila

Viver a maior parte do ano sozinha com o meu filho aguçou o meu distúrbio compulsivo para a arrumação porque o marido refreia-me bastante as maluqueiras. Quando ele esta em casa, ainda por cima em casa a tempo inteiro (quando vem, ou vem de fim de semana ou vem de férias), há um confronto grave entre a minha mania de arrumar e ter tudo no sitio e o feitio caótico dele. Um feitio que já era desarrumado por natureza e que agora na Alemanha, a viver só com colegas homens, piorou. Passo o tempo a arrumar os sapatos deixados na entrada, as chaves que não foram colocadas no chaveiro e estão espalhadas, as roupas penduradas na casa de banho, os papeis largados em toda a minha mesa de trabalho. E depois oiço constantemente o típico "onde estão os meus calções, onde estão os meus óculos escuros, onde esta a minha carteira, onde esta o meu telemóvel????" Tenho que respirar e responder sempre o mesmo "não sei, são as tuas coisas, procura".É uma luta constante comigo mesma. Adoro te-lo por perto, é a minha metade, a vida é muito mais divertida com ele. Temos uma química indescritível. Mesmo quando ele trás da Alemanha uma barba horrível que eu detesto, amo-o na mesma. E ele sabe disso, por isso não a corta. A casa enche-se de musica, com ele sentado ao piano ou a tocar ukelele. Os jantares fazem-se na varanda, à luz de velas. Vamos passear, vamos à praia, fazemos caminhadas. Enfim, estar com ele é uma festa.

Mas ao mesmo tempo, é um trabalhão controlar este meu impulso e não fazer dele uma batalha campal diária. 

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