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Contos sem nó

As minhas histórias

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28.06.14

Home alone-considerações


Lila

Levanto-me e percorro um corredor de portas fechadas à chave.

Tenho a obsessão infantil de fechar todas as portas interiores da casa antes de me deitar, assim, se um amigo do alheio entrar pela janela de uma das divisões, não consegue aceder ao resto da casa facilmente.

Quando estou sozinha, acabo por não abrir as portas durante o dia.

O quarto e a casa de banho do JA, o escritório do A e as vezes até a sala, permanecem fechados durante dias a fio.

A utilização da casa limita-se á cozinha, e ao meu quarto.

 

Dou por mim a tomar banho à noite e a perfumar-me, como faço quando o A cá está.

Não vale a pena o gasto da colónia, mas é um hábito.

 

O meu filho tinha prometido vir passar o fim de semana comigo, mas acabou por ser tentado por um sem numero de actividades no Algarve,  com as quais uma mãe não consegue competir.

Deixei-o ficar.

Ele merece gozar as férias, teve excelentes notas e hoje soube que entrou no Conservatório, em piano.

É mesmo o nosso orgulho, o meu filhote lindo.

 

Estar sozinha tem vantagens, fazer só o que me apetece, não cozinhar praticamente nada (ando movida a gaspacho e saladas), ir ao cinema depois do trabalho, ver a TV que me apetece, dormir atravessada na cama.

 

Estar sozinhas tem desvantagens e uma delas é o aumento da conta da luz (durmo com a luz acesa, sim, podem gozar).

 

Na verdade, tenho saudades daquelas duas pestes.