Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Contos sem nó

As minhas histórias

Contos sem nó

As minhas histórias

23.02.20

Carnaval


Lila

Quando eu era adolescente, faziam-se as brincadeiras mais estúpidas que alguém possa imaginar. Ovos na cabeça. agua com lixívia nas roupas, as vezes ate sacos com urina eram jogados das varandas, as bombinhas de mão cheiro, mascarados de cara tapada que nos assustavam e perseguiam. No meu liceu, o Carnaval era um caos. Eu tinha tanto medo, que um mês antes deixava de vestir roupas novas ou de que gostasse muito e obrigava-me a ficar os intervalos todos nos corredores, para não ter que enfrentar a confusão do pátio. Os tempos, felizmente, mudaram. Já quase não se da conta de que é Carnaval, tal é a quantidade reduzida de mascarados que se observam na rua. Brincadeira parvas, na escola e nas ruas, acabaram. Mas é um facto de que os meus tempos de miúda e adolescente acabaram por me traumatizar.. Não consigo gostar. Mascarei o meu filho até ele querer, sempre a contra gosto. Nunca consegui achar piada a mascaras. O meu marido, que se mascarava muito com os irmãos e iam a bailes quando eram adolescentes, acabou por se acomodar ao meu (des)gosto por esta época. Estou convencida que a coisa muda no ano em que conseguir fazer algo que ando a planear há muito tempo. Quero muito ir ao Rio de Janeiro umas semanas antes do Carnaval, no grupo dos nossos amigos de São Paulo, para frequentar as escolas de samba e as festas pré- Carnaval. Eles organizam-se e fazem um fim de semana alargado, praia de dia e festas à noite, sem filhos. E quando vejo as fotos fico sempre com vontade de ir. É que dançar e de me divertir, eu gosto. Das brincadeiras parvas, dos nossos corsos tristes e das mascaras é que não.