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Contos sem nó

As minhas histórias

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27.10.13

pablo e outras coisas


Lila

 

Há uma primeira vez para tudo.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que fui ao cinema sozinha.

E de me ter feito imensa confusão, não por ter medo que alguém me  achasse solitária, por qualquer juízo de valor que se faz sempre a uma pessoa que vai a algum sitio sozinha.

Apenas porque gosto de partilhar, de comentar,  e sozinha, falta essa parte.

Fui ao cinema sozinha pela primeira vez quando andava na faculdade.

Depois dessa vez, já fui centenas.

Aliás, agora vou quase sempre ao cinema sozinha.

Ontem, quando estava a caminho do concerto do Pablo Alborán, pensei que seria o meu primeiro concerto a um.

Mas não era, lembrei-me depois.

O primeiro foi da Mafalda Veiga nos tempos em que eu era uma grande fã, principalmente de um disco que ainda hoje mexe muito comigo.

O meu marido não gosta e eu acabei por ir sozinha, uma vez que ela veio a Setúbal, ao fórum Luísa Todi.

Tinha dois bilhetes e fui sozinha.

Lembro-me de olhar para o lugar vazio ao lado e chorar, emocionada pelas letras da Mafalda e não só.

Ontem foi diferente.

Era um super concerto, uma enorme vontade que eu tinha de vê-lo ao vivo, depois de ter falhado não sei quantos concertos por vários motivos.

Comprei bilhetes há um mês.

Era desta, desse por onde desse.

Esta semana percebi que iria sozinha.

Por muitos motivos e mais um.

Foi preciso coragem, não se entra num concerto onde estão casais, amigas, famílias, assim sozinha, e se passa despercebida.

Ainda ponderei não ir, ainda desafiei a minha sobrinha, a minha melhor amiga.

Mas depois enchi o peito e fui.

Caramba, eu entrei na igreja sozinha, para me casar! (Foi um prenuncio!)

O concerto foi magnifico. Duas horas e 15 minutos sem uma pausa, com efeitos de luz, coreografias, todas as musicas que eu adoro, ele com uma simplicidade bonita, muito carinhoso com o publico, lindo, lindo de morrer.

Fiquei num lugar bastante central (isto de ir sozinha tem as suas vantagens) e emocionei-me muito.

Chorei, ri, dancei.

É difícil ir a um concerto em que se saiba todas as letras e eu sabia.

Cantei o tempo todo.

E depois entra a Carminho e o meu coração cai ao chão, desfeito.

Que cumplicidade, que voz aquela.

 

Ontem, senti um misto de emoções.

Estou a passar uma fase menos boa, daquelas em que pomos em causa quase tudo.

Uma fase muito estranha no trabalho, uma fase muito estranha a nível pessoal.

De ponderar se será mesmo isto, se não deveria mudar tudo.

Estou desiludida com pessoas, com o egoísmo delas, com o seu egocentrismo.

Perceber que afinal, eu estou na vida como estava ontem no concerto.

Sozinha.

E tudo isso me magoa.

O concerto também me serviu para pensar no que vale ou não a pena.

Pensei no "Tu, si que vales" da minha querida Margarita.

Pensei que à vezes vivemos numa bolha de ilusão, à espera que os outros mudem, que nos valorizem, que gostem de nós.

 

Talvez seja só uma fase.

Deve ser isto a crise da meia idade (ou da mudança da hora).

 

 

 

 

 

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