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Contos sem nó

As minhas histórias

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25.06.09

Quem mexeu no meu queijo?


Lila

A minha empregada é um caso de psiquiatria grave.

Está connosco há 9 anos.

Super séria, mas demasiado á vontade na nossa casa.

Entra á hora que quer, sai á hora que quer, altera os dias da limpeza acordados e (vá lá avisa-me!) manda-me uma mensagem a informar, sobre a alteração, não a pedir se pode alterar.

No Natal, tive férias e como ela muda os dias da limpeza com a periodicidade com que eu mudo de cuecas (e eu sou uma gaja bem limpinha e e lavadinha, acreditem...), mandei-lhe uma mensagem a dizer que viesse de tarde e não de manhã, que eu não a podia ter cá cedo.

Isto com o propósito de poder dormir até mais tarde, sem levar com a mulher cá em casa.

A senhora ignorou e enviou-me uma mensagem a dizer que vinha de manhã.

E eu voltei a dizer-lhe que não vinha, que vinha de tarde.

No dia da limpeza, ás 9h da manhã, a peça estava á porta, a tentar entrar.

Mas a minha chave estava por dentro e por isso vai de tocar á campainha.

Depois de mil vezes, abri-lhe a porta e dei-lhe dois berros.

Que não tinha recebido as mensagens, que voltava mais tarde.

Desde esse dia, que eu ando atravessada.

E apetecia-me mandá-la embora, apesar de saber que ela precisa de trabalhar e que tem uma filha para sustentar.

Esta semana detectei mais um caso digno de nota.

A senhora come cá em casa, apesar de não estar o dia todo, apenas duas manhãs por semana.

Ainda assim, come uma sandes, sopa, iogurte, enfim, coisas rápidas para ir para outra casa.

E isso não me faz impressão, ou não faria se, para o  fazer, as embalagens das melhores bolachas, dos melhores doces, dos melhores sumos, dos melhores queijos, não fossem abertas e devoradas.

Eu já tinha dado por isso e nunca disse nada, nunca foi nada gritante, se bem que me danava que abrisse as embalagens de coisas novas, quando existem outras equivalentes abertas, provavelmente demasiado reles para o seu gosto requintado.

Esta semana, quando cheguei de férias tive que correr para o supermercado, não tinha nada comestível em casa.

E , entre outras coisas, comprei um queijo de Azeitão, queijo fatiado, e um queijo flamengo.

Éstes últimos já estavam abertos quando a empregada esteve cá em casa.

Mas, adivinhem que queijo comeu, seguramente metade, ainda apor cima cortou-o ao meio, quando é um queijo amanteigado que se come com uma colher...?

Esse mesmo, o de Azeitão. Que é um queijo caro, que eu compro uma vez quando o rei faz anos, e que  sei que ela não compra na casa dela. Porque não pode, seguramente.

Aqui fica o  dilema: ficar aborrecida por ver o queijo que comprei para a minha família ser comido pela minha empregada, e  sentir -me culpada por ficar aborrecida quando a mulher não o pode comer na sua casa.

È uma questão de principio, certo?

Eu não faria isso na casa da minha irmã, nem da minha sogra, nem da minha melhor amiga.

E sei que podia faze-lo, mas não faço, por princípio, por educação.

È isso que me dana.

 

 

 

 

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