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Contos sem nó

As minhas histórias

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28.07.11

Drama familiar


Lila

Ontem, naquela horinha da qual ninguém desconfia (vulgo hora dos banhos), estava eu a fazer o jantar quando chamei o meu JA para ir tomar banho.

Chamei uma, duas, cinquenta vezes.

O rapaz respondeu-me aos gritos, e apanhou, numa assentada duas palmadas no rabo, que se há coisa nas vida que me tira do sério, é falta de educação.

Foi em voo para o banho onde lhe anunciei o castigo: jantar e cama, sem extras.

Foi para a mesa sempre a resmungar e eu liguei a TV para ver as noticias.

Nem de propósito, começou a dar uma reportagem sobre os meninos do lixo na Palestina.

E eu pedi-lhe que visse com atenção.

Nos primeiros minutos desdenhou a reportagem, dizendo que os meninos que trabalham na lixeira se divertem...

E eu respondi que se ele quisesse, também podia ir para lá.

Depois, começou a ver meninos com 4 anos a trabalhar, meninos a comer o que o lixo lhes dá...

E uns minutos depois chorava agarrado ao meu pescoço.

Chorava ele e eu.

 

Foi para a cama ainda a soluçar.

Li-lhe a historia e dei beijos de boa noite.

Passados uns minutos voltou a cozinha, só para saber se não ia mesmo para a lixeira.

Queria ficar descansado...

 

Hoje de manha, disse-me que sonhara com os meninos do lixo.

 

Foi duro, admito.

Mas uma criança que tem tudo por vezes, tem que ser confrontada com outras realidades para dar valor ao que tem.

Ao amor, ao carinho, aos alimentos, ás guloseimas, aos presentes, ao conforto, á escola.

Custa, mas tem que ser.

Acho que nunca mais se vai esquecer e sinceramente, estava a fazer-lhe falta um despertar destes.