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Contos sem nó

As minhas histórias

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26.07.11

Dia dos avós


Lila

Eu tive apenas uma avó presente, mãe da minha mãe, que vivia connosco.

O meu avô paterno morreu com 50 e poucos anos, vitima de uma embolia pulmonar, tinha eu 18 meses.

Digo que me lembro de lhe tirar as coisas do bolso da camisa e de ele se rir por causa disso, mas sei que é humanamente impossível e que as minhas memórias se devem á descrição que a minha mãe fazia desses momentos, para manter viva a memória do pai dela em mim.

Era (segundo as más línguas) um homem daqueles que parecem actores do cinema, fazia palpitar corações e era um charme de pessoa.

O meu avô paterno tambem morreu muito novo, eu ainda não tinha nascido.

A avó paterna nunca se deu com o meu pai ( e muito menos com a minha mãe) e por isso não convivemos (nem pouco nem muito, absolutamente nada).

Lembro-me de a minha mãe ter pânico de estar em Águeda, terra do meu pai, e ela aparecer, coisa que nunca aconteceu.

A briga entre eles foi muito feia e os corte absolutamente radical.

Acabou por falecer há relativamente poucos anos, no dia do meu aniversário.

A mãe da minha mãe era uma espanhola á antiga.

Muito dura, com pouco carinho por crianças.

Teve apenas uma filha e contava a minha mãe que só a teve porque o meu avô ameaçou que se ela não a tivesse, ia ter um filho com outra qualquer (nunca confirmei esta versão, talvez tenha sido dramatismo da minha mãe...).

Não me lembro do colo desta avó e muito menos de a ver sorrir.

Foi sempre uma pessoa muito amarga, completamente diferente do amor de pessoa que era a minha mãe (puxou ao pai, felizmente).

Faleceu com setenta e dois anos, com uma trombose e disso lembro-me perfeitamente, porque era adolescente.

 

O meu filho teve, até há dois meses atrás, apenas uma avó.

A minha mãe faleceu há 16 anos e não o conheceu.

O meu sogro desapareceu da vida do meu marido há 30 anos.

E eu não me relacionava com o meu pai há 14.

Eu costumo dizer a brincar que o altar no meu casamento, foi o mais miserável da historia dos casamentos.

Só tinha padrinhos e a minha sogra.

Faltaram lá mais 3 elementos, uma porque não podia, os outros dois porque não quiseram.

 

Mas hoje e pela primeira vez, o meu filho celebrou o dia dos avós com o avô Augusto.

Passou o dia inteiro com ele.

E sinceramente, tudo vale a pena só por ter o prazer de lhe dar esse privilégio.

Um privilégio que eu não tive.

E o meu filho só tem um avô e uma avô, mas ambos são excelentes e amam-no incondicionalmente.

Não há muita gente que se possa gabar disso.

 

( e a avó Carmen, apesar de não estar presente, por certo tambem lhe manda muito amor e carinho, do cantinho de onde o espreita e protege, a cada segundo)