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Contos sem nó

As minhas histórias

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27.04.11

Dia díficil


Lila

Hoje soube, num laboratório em que adoro trabalhar, que duas das técnicas estão com um cancro do pulmão.

Uma tem 37 anos.

Outra tem 39.

Uma tem um linfoma de grau 3 e outra de grau 4.

A que está pior, trabalhou comigo directamente, num dos nossos equipamentos.

E já algum tempo que tem os marcadores tumorais alterados, mas achou que não era nada, apesar de trabalhar num laboratório de analises clínicas.

Diz-se que em casa de ferreiro, espeto de pau, e é bem verdade.

Ambas fumavam imenso.

 

Eu fiquei com um nó na garganta e a pensar que esta vida é mesmo uma coisa que passa não só  só a correr, como por vezes tem episódios bem estúpidos.

A Zé apareceu cá no laboratório sem cabelo, debilitada pela quimioterapia, quando a ultima imagem que eu tinha dela é com um cabelão enorme, preto, pelas costas, a sorrir e a fazer piadas.

Para a semana, vou dar formação á nova técnica, que a está a substituir.

E tenho a certeza de que me vai custar muito, ainda há seis meses lhe dei formação a ela e hoje a Zé tem pouca esperança de vida, quando tinha ainda uma vida inteira pela frente.

Esta vida são dois dias, parece mentira que passemos um deles a fazer coisas que não gostamos ou aborrecidos com aqueles que nos são queridos.

Estas coisas fazem-me reviver momentos muito difíceis da minha vida, momentos que não vou esquecer nem que viva 150 anos.

Hoje não foi um dia bom.

 

 

 

 

 

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