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Contos sem nó

As minhas histórias

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27.02.11

A lua de mel


Lila

Nesta viagem deixámos cá o JA.

Não foi uma decisão tomada por mim, o meu homem ofereceu-me a viagem, tudo marcado para dois, filho excluído e rótulo de uma celebração de aniversário á antiga.

Só desta forma é que eu o deixava cá, ele já sabe que a mim me custa horrores.

Eu sei que a avó adora ficar com ele, eu sei que ele se diverte com a avó e com os tios, que fica cheio de mimos.

A minha sogra faz gosto e sabe que é importante para nós estarmos uns dias sem ele.

Mas o meu coração não consegue racionalizar isso.

Fico com um sentimento de culpa do tamanho do oceano atlântico.

Aliás, só no ano passado, já ele tinha 5 anos, o deixei um fim de semana para irmos a Roma.

E posso dizer que foi fabuloso depois de lá estar. Até ir, andei a choramingar pelos cantos, feita Madalena arrependida.

E reconheço que este momentos nos fortalecem como casal, são memórias dos tempos que éramos só o Afonso e a Lila, o casal que originou o Afonso, a Lila e o Ja.

Mas materializar a coisa, deixa-me numa angustia desgraçada.

New York não foi diferente.

Ainda por cima, desta vez era uma semana, com toda a burocracia da escola que isso implica, ás costas da avó.

Deixá-lo e despedir-me foi um horror.

Só quando entrei no avião é que respirei fundo e relaxei.

Gostámos mesmo muito e temos a noção de que esta viagem foi especial e diferente por ter sido só nossa, a celebração do nosso amor.

Mas as saudades dele foram imensas, não nego.

Quando chegámos, ele estava tão bem, tão alegre e tão bem disposto, que eu jurei a mim mesma que na próxima, já não vou angustiar-me tanto.

É claro que isto sou eu a dizer agora...