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Contos sem nó

As minhas histórias

Contos sem nó

As minhas histórias

02.11.10

Luisa


Lila

Há alturas em que os dias passam, sem nada de realmente importante para assinalar.

Porque fazemos aquela correria casa-trabalho, trabalho-casa sem nada digno de nota.

E depois há dias em que recebemos um sorriso, ou uma palavra doce e o Sol aparece por detrás das nuvens, como que por magia.

Hoje recebi uma mensagem de uma colega que não vejo há anos.

E as palavras dela tocaram-me o coração.

Fez-me lembrar tempos muito difíceis da minha vida, tempos em que vi a vida da pessoa que me trouxe ao mundo, escapar por entre os meus dedos, ainda que eu tivesse fechado bem a minha mão e não a quisesse deixar partir.

Ainda que eu tivesse lutado com todas as minhas forças para que ela não tivesse ido tão cedo.

Infelizmente em vão.

A minha vida mudou radicalmente nessa altura.

Perdi a minha mãe, pouco tempo depois perdi, por outros motivos, igualmente cruéis, o meu pai, ainda que este permaneça vivo.

A minha noção de família alterou-se por completo e eu fiquei diferente.

Menos alegre.

Menos corajosa.

Menos confiante.

Menos sonhadora.

Acredito que era mesmo uma pessoa muito melhor, que o desgosto me transformou.

Não nego que a revolta fica inerente á nossa existência. (Porquê eu? Porquê a mim?)

Uma coisa guiava a minha vida, tentar minimizar o estrago que esta situação traria á vida e á personalidade da minha irmã mais nova.

Senti-me responsável por ela, tentei protege-la o mais que pude e soube.

Afinal de contas, fui mãe dela quando ainda não tinha nem idade, nem maturidade para isso, com todos os erros que daí resultaram.

Mas olhando para trás, acho que até nem me sai assim tão mal…

A Luísa relembrou-me essa época (como se eu não pensasse nisso todos os dias…) e mostrou-me a forma como os outros me viam nessa altura.

Mas tenho a dizer-te que todos estavam enganados. Que eu não fui corajosa, nem nada que se parecesse com isso.

Fui obrigada a reagir, a seguir em frente, tal como qualquer outra pessoa faria.

Tinha e tenho ainda ao meu lado um homem fabuloso, que me deu força para voltar á vida. Que me fez acreditar que poderíamos ter a nossa família e compensar com ela o tsunami que tinha arrastado a minha.

E tinha uma faculdade para onde voltar, amigos e colegas que me animavam.

A minha força, fui buscá-la a cada um de vós.

E aprendi que a nossa vida é muito curta, embora muitas vezes me esqueça e dê por mim a dar máxima importância a coisas que não merecem a mínima.

Agora que sou mãe, penso muitas vezes que gostaria muito de poder criar o meu filho, de lhe poder dar colo e mimo até ser adulto, de prolongar esse mimo aos filhos dele.

A falta que me faz aquele colo!

E a falta que faz ao meu filho (e ele sente falta de um colo que nunca conheceu…).

Obrigada, Luísa por te teres dado ao trabalho de me escrever.

Significou muito para mim.