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Contos sem nó

As minhas histórias

Contos sem nó

As minhas histórias

05.10.10

Dina


Lila

Eu acredito que há coisas que estão destinadas a acontecer.

Na semana passada, eu era para ter começado outro curso, que tinha as mesmas horas, mas menor carga horária semanal.

Mas afinal, os horários pós-laborais não abriram e eu tive que me encaixar noutro que já tinha começado ha dois dias.

E começar assim, não me estava a agradar.

Nesse dia, também começou a Dina.

A Dina era nova na turma, como eu, e sentou-se ao meu lado.

Cabelo preto, pequenina, muito gira, sofisticada, com uma energia que me fazia lembrar eu própria, com a idade que ela tem agora.

Eu e a Dina começámos a conversar, passámos o intervalo juntas e no final das duas horas e meia, quem nos via, podia jurar que éramos amigas de infância.

A Dina é advogada e tem uma história de vida já cheia de coisas para contar.

E eu gostei dela assim, á primeira vista, como raramente acontece.

Na segunda aula, já tínhamos trocado email e telemóvel, como se não nos quiséssemos perder uma da outra.

Hoje, a Dina não chegava.

E eu já me sentia sozinha, sem ela  a tirar duvidas ao meu lado, a contestar o que eu faço ou a contestar sozinha o que ela própria faz com o espanhol. Mandei-lhe uma mensagem a dizer que sem ela. não tinha graça.

E quase no fim da aula, a Dina entrou porta dentro, esbaforida, que tinha tido uma reunião e que  o homem não se calava e que não podia ser, ai a vida dela, tá feita com estes gajos, eu não sou advogada, sou psicóloga...

Como se não bastasse, ainda conseguiu fazer com que um colega que entretanto ocupara o lugar dela habitual, se levantasse, para ela se sentar.

Eu acredito que há coisas que estão destinadas a acontecer.

E nesta fase tão dificil da minha vida, em que muitas vezes acho que estou sozinha na multidão, acredito verdadeiramente, que encontrei uma amiga daquelas que são para sempre.