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Contos sem nó

As minhas histórias

Contos sem nó

As minhas histórias

16.09.10

Pedrinho


Lila

Há dez anos atrás, estava no Hospital São Francisco Xavier com uma irmã quase a rebentar.

E quando eu digo a rebentar, quero dizer, quase a parir.

Não sabíamos se era rapaz, ou rapariga, mas as apostas mais altas estavam na rapariga, uma vez que a nossa tradição familiar feminina, assim o previa.

Era de uma menina portanto, de quem estávamos á espera.

O meu cunhado teve que ir trabalhar e eu fiquei lá.

A dar-lhe a minha mão.

Ela estrangulava os meus dedos e torcia-se toda.

Eu rezava para que Deus me fizesse aguentar sem desmaiar.

Fazia-me de corajosa, mas só me apetecia era acabar com aquelas dores e levá-la para casa.

A bebé que esperasse, a nós, já não nos apetecia.

Estava já  a fazer-se tarde, e aquilo não andava.

Mas afinal, disseram-nos que não.

Que essa hipótese não se punha.

Ficámos lá.

E quando chegou a hora, fizeram-me sair, para a levar para a sala de partos.

Eu vesti-me toda para entrar e quando já estava com um pé na sala, a parturiente gritou que não, que se eu visse um parto, nunca mais queria ter filhos.

E eu ainda resisti, mas sem o seu conssentimento, nada feito.

E então esperei, como os pais esperam cá fora.

Com a mesma camada de nervos deles.

A roer as unhas, a andar de um lado para o outro, a fumar cigarros, se eu fumasse, a chutar para a veia, se me drogasse.

E depois vieram-me chamar, que o menino já tinha nascido.

"Olhe que se enganou, é uma menina, não temos meninos na família."

Que não, que não, tinha a certeza.

Fui a correr vê-lo, e tenho o orgulho de ter sido a primeira, depois da mãe.

Era um bebé maravilhoso.

E a minha irmã só dizia que lhe tinha nascido um condicional...

Nunca mais vou esquecer esse dia, como também não esqueci a gigantesca borbulha que me nasceu na bochecha, na noite em que nasceu a minha sobrinha mais velha (santo Deus, nas fotos, parece que tenho uma queimadura na cara...).

Os nossos sobrinhos são como nossos filhos.

Sem as dores físicas.

Porque as emocionais, essas, temos todas.

Parabéns, Pedrinho!!!!

Adoro-te e adoro que sejas hoje o melhor amigo do meu filho.