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Contos sem nó

As minhas histórias

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12.05.10

O avião e as criancinhas


Lila

Passei a viagem de avião estarrecida com uma família dita numerosa que viajava á minha frente.

Pai, mãe e quatro lindos filhos, quatro rapazes e uma rapariga.

Acho que as palavras não conseguem descrever a turbulência que aquelas quatro pestes fizeram durante quase quatro longas horas de viagem.

Eu tive tempo para observar tudo e mais alguma coisa.

Que os tratavam por “você”, apesar de esta suposta educação se revelar numa terrível falta de compostura. (É incrível ver uma criança de 3 anos a ser tratada por você. È irreal. Eu nunca consegui perceber qual o objectivo.)

Que todos vestiam marcas caras.

Que usaram frequentemente a palavra “servir”, tanto as crianças como os adultos, tipo “pode servir-me um copo de água?”.

A refeição da TAP é uma mera sandes e os miúdos vinham todos esganados á fome.

A miúda mais pequena circulava de 2 em 2 minutos entre o pai e a mãe, que estava sentada mais atrás.

A dada altura, apareceu a mãe a perguntar pela pequena e ninguém a tinha.

Estava a dormir ao colo de uma desconhecida, a meio caminho entre os lugares dos pais. O comentário da mãe foi apenas “quando chegares a casa, temos que te desinfectar.”

 

Eu viajo muitas vezes com uma criança. E para que uma criança não se ande pelos corredores de um avião super lotado a jogar a bola, há um truque básico.

Entretenimento.

Para isso, compro livros e actividades novos antes de cada viagem.

Levo jogos e tento que ele durma.

Trago SEMPRE comida comigo, para evitar imprevistos.

Nunca o meu filho andou aos gritos pelo corredor do avião, a mandar bolas para cima das pessoas. Nunca.

Até o simples bater com os pés na cadeira da frente, tem que ser reprimido.

É básico, são crianças, se não forem os pais a dizer o que devem ou não fazer, quem é que o fará?

Eu sei, são muitos, é mais difícil de controlar, mas tentativas de entretenimento, não vi nenhuma.

Eu bem tentava sorrir para as crianças, que normalmente fazem tudo de mim, porque as adoro, mas não conseguia. Apetecia-me estrangulá-las.

Enfim, fiquei tão contente por ter só um filho.

Não há alegria da maternidade que compense este desgaste.

 

 

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