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Contos sem nó

As minhas histórias

Contos sem nó

As minhas histórias

17.06.18

A mota


Lila

Há muito tempo que não a conduzia mas este fim de semana desforrei-me. Hoje, quando vinha da praia, sozinha, vinha a pensar que a minha relação com ela é meio esquizofrénica. Tanto há dias em que me sinto uma pena, ali a levar com o vento na cara, e deslizo nela, com alegria, feliz por poder deslocar-me numa coisinha tão fixe, como depois há outros em que tenho medo, travo muito nas curvas, nas rectas, em todas as circunstancias. Em que vou devagar, muito devagar. E vejo filas de carros atrás de mim, engonhados pela minha presença e penso que não fui feita para aquilo. Acelero e imagino-me a cair, a resvalar e a ficar com a pele das penas toda queimada do alcatrão, cheia de feridas, partida dos pés a cabeça. E depois volto a sentir-me bem, a gostar da sensação, principalmente a caminho da praia, com o vento quente a bater nas pernas e na cara. Para depois voltar a imaginar a queda, a ter medo de um vento que me abana um bocado, a ter medo de um pequeno deslize que a senti ter por haver uma diferença de pavimento na estrada.

Isto de cada vez que a conduzo. 

 

 

17.06.18

Primeiras tardes de praia


Lila

Ontem fomos os dois, na minha mota e passámos por lá a tarde. Estava calor mas um vento com rajadas que de vez em quando me tirava do sério. Hoje fui sozinha, depois de ter deixado o meu amor adolescente no autocarro, rumo ao Algarve, onde vai ficar com os tios,  a avó e a prima, enquanto eu vou a Madrid fazer o evento do ano e ter uma reunião. Hoje estava um calor abrasador, sem correr uma aragem e eu só cheguei lá as quatro da tarde...

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