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Contos sem nó

As minhas histórias

Contos sem nó

As minhas histórias

19.02.09

Dúvida


Lila

 

 

Eu gostei.

Até porque, quanto mais não fosse, tem como protagonistas dois dos meus actores preferidos-Philip Seymour Hoffman (fantástico, sempre) e a eterna Meryl Streep, que está perfeitamente irreconhecível neste filme.

Obviamente, aborda um tema complicado, mas fá-lo de uma forma que toca a todos, abrangendo o mistério da Igreja e associando -o á problemática da homossexualidade entre os padres.

A duvida instala-se nas nossas mentes e deixa-nos a pensar se vale a pena acreditar verdadeiramente naquilo que julgamos ser correcto.

Por vezes a nossa mente prega-nos partidas irremediáveis.

 

19.02.09

19 de Fevereiro de 2000


Lila

 

Era sabado. Por volta da 15h30 , entrava na Igreja de São Julião, onde um moreno charmoso, lindo e carinhoso me aguardava no altar.

O dia estava lindo, como hoje esteve, 9 anos depois.

Percorri toda a nave da Igreja, desde a aporta até ao altar, sozinha, com as pernas a tremer, e a pesar uns 500 kg cada uma, tais eram os nervos...

O dia foi maravilhoso, divertimo-nos muito e iniciámos assim mais uma aventura, a de vivermos juntos.

Nem tudo são rosas, o peso da rotina faz-nos por vezes desalinhar do caminho que traçámos nesse dia, e que jurámos ser eterno, mas, no final de contas, o nosso amor supera todas as barreiras.

Para o fortalecer ( e muitas vezes desvairar) juntou-se á trupe o nosso JA, quase cinco anos depois deste grande dia.

Hoje comemorámos 16 anos de namoro e 9 de casamento, tirando um dia de férias e partindo rumo á praia, para passear, para estar mão na mão, sem distrações, sem stress, sem filho.

Só nós dois. Almoçámos na praia, ao som do mar. Conversámos. Rimos. Recordámos.

Fomos ao cinema e no final da tarde, juntámos o rebento á festa.

Foi um dia muito bom.

Parabens, amor.

Sou muito feliz por poder fazer este caminho contigo.

 

 

19.02.09

19 de Fevereiro de 1993


Lila

 

Era sexta-feira de Carnaval.

Não tinha aulas á tarde.

A minha mãe acabara de arrumar a cozinha depois do almoço e eu saí de casa para ir esperar o "Monumento de Setubal" á paragem do autocarro.

Estava visivelmente nervosa, nem sabia muito bem porque é que o tinha convidado a passar a tarde na minha casa.

Os meus pais já o conheciam da Academia de Musica, onde eramos colegas, e eu estava muito apaixonada, mas ao mesmo tempo, muito receosa.

O autocarro chegou e ele saiu.

Tinha um sobretudo azul escuro e uma camisola de gola alta. Lindo.

Lembro-me de ter percorrido a minha rua ao seu lado e de sentir os olhares dos curiosos nas nossas costas, ao longo do caminho.

Na parvónia, não era usual alguem desconhecido, ainda por cima, com uma filha da terra, por todos conhecida.

Antes dessa tarde tinham-se sucedido ínumeros cafés juntos. longas conversas entre a academia e a estação dos autocarros em Setubal (que ele insistia em percorrer comigo, só para termos mais algum tempo juntos).

Trocas de olhares sedutores, confissões de amigos, telefonemas mas nada mais.

Nessa tarde, roubou-me um beijo e esse dia marcou o ìnicio de um namoro que durou 7 anos.

Lembro-me de não ter dormido nessa noite. De me sentir insegura com o facto de vivermos longe, de ele já estar na Faculdade e eu ainda no 12º ano, de o saber muito assediado pelas meninas na Academia.

Há 16 anos atras, por mais incrivel que nos possa parecer hoje, não existiam telemóveis, nem mensagens escritas, nem emails. Eu não tinha carta e ele tambem não.

Separáva-nos um autocarro que demorava uma hora a percorrer a distancia entre as nossas localidades.

Escreviamos muitas cartas, e restavam-nos os dias em que eu ia estudar piano a Setubal.

Não foi fácil, mas o amor sobreviveu e fez-se cada vez mais forte.

 

18.02.09

"A homossexualidade não é normal"


Lila

 

 

 

 

 

 

D.José Saraiva Martins afirmou terça-feira à noite, na Figueira da Foz, que o casamento entre homossexuais não providencia uma educação normal a crianças a quem falta um pai e uma mãe.

"Quando se juntam dois homossexuais, eles ou elas, se há crianças, evidentemente, aquela união, aquele casamento, não pode providenciar a formação das crianças", argumentou.

 

 

E depois ainda se admiram de as Igrejas estarem vazias...

Apetece perguntar "porque non te callas?"

17.02.09

Espanhol á força


Lila

 

 

A minha empresa , ou seja a filial portuguesa da mesma, está desde meio do ano passado, anexada a Espanha.

Isto porque, já a prever a crise, o meu director português foi despedido, e no seu lugar, ficou o homólogo espanhol, que gere agora os dois paises.

Ora como seria de esperar, tambem pelo tamanho dos dois paises, foi Espanha que ficou com os melhores cargos, os de chefia, os de marketing, etc.

As coisas têm corrido bem, mas agora que chegou o periodo de avaliações, começou a falar-se daquilo que a empresa espera para cada um de nós.

O meu chefe português, conversou com o chefão espanhol e acharam que eu tenho hipoteses de liderar a equipa Ibérica na minha area de especialidade,  nos próximos tempos, não sabem se daqui a seis meses, se daqui a um ano, se dois.

...

Mas, para isso, tenho que falar espanhol.

E eu lá comecei a ouvir cursos de Expanhol no MP3, enquanto conduzo, e a planear já comprar não sei quantos livros, para aprender os verbos e mais não sei o que.

Hoje, na reunião com o chefe português, disse-lhe que estava nesse percurso e partilhei com ele a minha ideia de aprender mais.

Resposta pronta do homem:

 

-Oh, não, mulher, eu já sabia que tu ias levar a coisa á letra e não te contentavas só em arranhar a lingua, como todos nós.

Não vais sossegar enquanto não escreveres um livro em Espanhol!!!!

...

 

Não é que o chefe me conhece mesmo...?????

17.02.09

Do mal, o menos


Lila

 

 

 

 

Hoje fui avaliada pelo meu chefe, na empresa.

Estava calma , como estão todos os espíritos confiantes no seu trabalho e na sua dedicação.

Correu bem, até porque não havia a mínima hipótese de correr mal, a não ser que  desse ao meu chefe uma  travadinha e o moço desatasse com um ataque de Alzheimer antecipado, coisa que não me admira, avaliando que o homem ,apesar de ser da minha idade, fuma 300 cigarros por dia e bebe outros tantos cafés, não dorme e não come.

Então, lá estive das 11h30 ás 16h a conversar com ele sobre tudo e sobre nada, em jeito de lavagem ao cérebro, até porque, apesar da avaliação ter sido muito boa (o excepcional é 4 e eu tive 3,8...), o que interessa é manter-nos conscientes de que somos muito bons mas aumento que se veja...é mentira!!!!

Por isso, e porque estamos em crise, porque não há dinheiro, porque blá blá...é melhor estarmos preparados para um aumento miserável...

O trabalho nesta fase é mais do que muito, eu estou mais ou menos sem saber para onde me hei-de virar, vou iniciar as minhas viagens por esse país fora já amanhã, mas ainda assim, até me sinto sortuda, tendo em conta que tenho ordenado certo todos os meses e não falta comida na mesa, nem roupa lavada, nem tecto para abrigar o meu filhote.

Ainda assim, do mal o menos.

14.02.09

Valentine´s Day


Lila

 

A todos os apaixonados, por que este é apenas mais um bom motivo para namorar, para se dizer ao mais que tudo que o amamos, quando o peso brutal da rotina nos faz esquecer de o dizer a todas as horas.

Abençoados todos aqueles a quem o Cupido apontou uma seta e fez perder-se irremediável e definitivamente nos braços daquele tal.

Porque o amor faz doer, faz-nos sentir mínimos, amarrota-nos as entranhas, mas também nos engrandece o coração, faz-nos andar nas nuvens, sorrir de forma pateta e achar um dia de chuva absolutamente mágico.

 

Amo-te muito, pitinho.

Thank you for being my Valentine.

 

13.02.09

Dias de Sol


Lila

 

Nos últimos dias, iluminados por este Sol absolutamente maravilhoso com o qual somos abençoados em pleno Inverno, vejo as pessoas muito mais bem dispostas, mais simpáticas e mais felizes.

Até pode parecer estranho, mas é mesmo certo que este tempo nos influencia positivamente, da mesma forma que os dias cinzentos e a chuva constante nos dão um melancolia inevitável.

Hoje a temperatura subiu aos 21ºC e tive calor apenas com uma blusinha de manga curta e casaquinho curto.

O meu cabelo, esticado na terça-feira, durou sem encaracolar até hoje, sinal evidente de falta de humidade no ar...

Mas já voltei á forma encaracolada e selvagem, até porque sabe bem mudar para depois voltar ao "velho" cabelo de sempre.

Quanto ao Sol, espero que se mantenha para o fim de semana, para podermos passear com o nosso filhote, e fazer um pouco de fotossíntese á maneira humana.

Feliz sexta-feira, 13!!!!!

 

 

13.02.09

Revolutionary road


Lila

 

 

 

 

Finalmente.

Acho que tenho ainda que amadurecer aquilo que quero escrever sobre este filme, mas não resisto a fazê-lo agora, enquanto ainda estou na emoção do rescaldo.

Ao ínicio, pareceu-me um pouco senso comum, sem grandes emoções associadas.

A partir da segunda parte, o filme torna-se um turbilhão de sentimentos, e faz-nos pensar naquilo que realmente somos, ou melhor, naquilo em que nos tornámos por força da rotina da nossa vida.

Achei muito interessante que retratasse não uma vida em particular, mas todas, cada uma em algum aspecto  particular.

Quem não teve ainda momentos em  que apeteça deixar tudo e fugir para uma nova vida, tendo tempo para pensar, para estudar, para seguir outro caminho,que não o da casa-trabalho e filhos?

Não consigo imaginar quem não tenha, mas tambem percebo a dose de irresponsabilidade que uma decisão dessa natureza acarreta, principalmente para quem tem filhos para criar.

O casal Frank e April tem um pouco de todos os casais que conheço.

A paixão inicial, aquela que desejavamos sempre sentir, mas que se desvanece com o tempo, naturalmente.

Os conflitos, a divergência de gostos e opiniões, as discussões, o peso da rotina e do trabalho.

O regresso á calma, com o voltar da paixão e o sentir que desta vez não vamos deixá-la fugir.

E novamente o mesmo ciclo.

April é apenas mais uma das mulheres que sente o peso opressor de quem se mantêm na sombra, e não se conforma com isso.

De quem tem tudo para ser feliz, uma casa maravilhosa, filhos lindos, um marido fantástico, mas para quem tudo isso não chega.

O impasse de quem não pode ir, mas não quer ficar.

E para se libertar do vazio que a desespera, toma a pior de todas as decisões possiveis.

 

Um filme sobre a díficil arte de amar e ser amado.

Das entranhas de um casamento e de tudo aquilo que nos oferece de bom e de mal.

Um filme sobre traição e sobre confiança.

Quando já tudo parecia ter sido contado.

 

 

( Tana, querida, this is  one of our kind...)

 

12.02.09

Os mimos do JA


Lila

Depois de 5 dias ausente, ontem, como prometido, fui buscar o JA ao infantário logo a seguir á hora do almoço.

Cheguei quando estavam aproveitar o sol, brincando no pátio da escolinha.

Correu para os meus braços e já não saiu de perto de mim o resto da tarde.

Beijos e mais beijos, abraços, festinhas, ou simplesmente encostado ao meu peito.

Que saudades que eu tinha de o cheirar, de o abraçar, de o ouvir falar, dos beijinhos melosos!!!!

Ficou sempre muito bem, portou-se bem na escola (às vezes quando estou fora, porta-se mal e vinga-se nos amiguinhos...), comeu sempre bem e só teve pesadelos na primeira noite ( outra coisa que é habitual quando estou ausente).

Contaram-me no café ao lado do infantário que, ao lhe perguntarem pela mãe, respondeu prontamente:

-Está de férias! Está sempre de férias! O meu pai é que trabalha muito...

 

...:(

Uma pessoa fica 5 dias a levar com reuniões o dia inteiro e o filho acha que estamos de férias...

Grunft. É triste.