Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Contos sem nó

As minhas histórias

Contos sem nó

As minhas histórias

13.01.15

13/365


Lila

Confesso que me faz impressão.

Não me vejo com 40 anos, não me sinto com 40 anos, não me apetece ter 40 anos.

Andei toda a década passada a dizer que neste dia faria uma valente birra, que não iria reagir bem.

Mas afinal não.

Continua a não me apetecer, mas nestes primeiros dias do ano, fui-me convencendo de que não há nada a fazer.

Chateiam-me os padrões.

Chateia-me que me chamem de senhora, quando ainda visto calções muito curtos, ou uso cabelo comprido e revolto, um único brinco de penas e meias até ao joelho.

São esses detalhes que me aborrecem, o que se espera de uma senhora com 40 e que eu não estou disposta a começar a fazer, correndo o risco de qualquer dia fazer figura ridícula.

Ainda me sinto a menina que começou a namorar e nos braços dele, esqueço-me desta idade, esqueço-me de que temos um filho crescido, esqueço-me de que já sou uma senhora.

Há muitas coisas a que me dou ao luxo por já ter uma certa idade e a principal passa por cuidar-me, cada vez mais.

Ter atenção aos cremes, por exemplo, ter finalmente, uma belíssima dermatologista, que a pele não perdoa a passagem dos anos.

Dormir mais.

Não me recriminar tanto, ser mais tolerante comigo.

E ajudar com outros detalhes, comer bem, beber muita água e tentar ser muito feliz.

Que ficar zangada, faz rugas na testa.

E eu já sou uma senhora com 40.

(e que os anos sirvam para aprendermos alguma coisa, caramba!!!)

 

 

1 comentário

Comentar post