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Acontece pouco, mas acontece.

por Lila, em 19.04.10

Sei que adoro um texto á séria, quando fico furiosa por não ter sido eu a escrevê-lo.

Acontece poucas vezes, mas acontece.

Hoje aconteceu e está aqui, vindo da pena do maravilhoso Rui Zink.

O homem que deu o empurrão que me faltava para decidir voltar a escrever.

 

O que eu soube sempre sobre as mulheres, mas tive à mesma que perguntar.


"Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers
e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que te tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente, mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de bondade tornam-se mesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor. Não são de confiança, mas até a mais infiel das mulheres é mais leal que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça, mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jantarada de amigos - elas quando jogam é para ganhar. E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acreditam no Amor com A grande mas, para nossa sorte, contentam-se com pouco."

(Crónica de Rui Zink, professor e escritor, no jornal gratuito, O Metro. Publicada a 8/03/2010.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:30


1 comentário

De Anónimo a 20.04.2010 às 20:18

Recebi por mail (vindo de ti :-)) . Li, reli e não resisti a reencaminhar para alguns dos meus contactos. Lindo! E tudo verdadeiro!
Beijos
Gena

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