
Faz hoje dez anos...
Estávamos com um nervoso miudinho que fazia medo.
A minha cunhada tinha entrado na sala de operações para fazer um transplante, depois de 3 longos anos á espera de um dador compatível.
Anos repartidos entre Portugal, Londres e Bruxelas, onde finalmente foi transplantada.
A notícia caiu como uma bomba, não que não fosse absolutamente desejada, mas porque se dava nas vésperas do nosso casamento.
E de repente, um sentimento de terror assolou as nossas vidas, estupidamente egoísta, mas ainda assim, algo legítimo.
Se alguma coisa corresse mal, teríamos que cancelar a cerimónia.
Depois de 12 horas de circulação extra corporal, a nossa querida Edite estava em recuperação e pronta para uma nova vida.
A lutar com as sequelas de uma cirurgia tão longa, mas de frente para a vida.
Faz hoje dez anos.
E no nosso casamento, a meio da cerimónia, fomos surpreendidos por um postal escrito pela sua mão, a desejar felicidades.
E eu, que tinha prometido não estragar a pintura, desatei num pranto sentido, de tanta felicidade.